Temas em Análise nº 355: Vendas do Varejo em Março: Acomodação ou "Reaceleração"?

Vendas do Varejo em Março: Acomodação ou “Reaceleração”?

 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em março, as vendas do varejo restrito (que não incluem veículos, material de construção e “atacarejo”) registraram alta de 0,5%, em termos mensais, livres de efeitos sazonais, bem acima das expectativas de mercado. Na comparação interanual, as vendas aumentaram 4,0% (ver tabela abaixo), também superando as expectativas, enquanto no acumulado de 12 meses cresceram 1,8%, ante 1,4% observado na leitura anterior, acima da nossa projeção (1,4% - ver gráfico na página seguinte). As vendas do varejo ampliado (que inclui todos os segmentos) também apresentaram resultado melhor do que o esperado, em termos mensais, ao crescerem 0,3%, com ajuste sazonal. No contraste com março do ano passado, houve alta de 6,5%, enquanto no acumulado de 12 meses cresceram 0,2%, frente à queda de 0,4%, observada em fevereiro.

O crescimento da renda, tanto auferida no mercado de trabalho, quanto recebida a partir de transferências governamentais, o aumento do emprego e a expansão da concessão de crédito parecem explicar o ganho de tração do varejo em março, apesar dos juros elevados e do alto grau de endividamento das famílias. As comparações mensal e interanual foram beneficiadas pelo “efeito calendário”, pois o Carnaval em 2025 ocorreu em março.

Em termos anuais, todas as oito atividades do varejo restrito apresentaram crescimento do volume comercializado, em geral expressivo: equipamentos e material de escritório, informática e comunicação (22,5%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (11,1%); livros, jornais, revistas e papelaria (10,2%); combustíveis e lubrificantes (7,6%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (7,1%); móveis e eletrodomésticos (6,8%); tecidos, vestuário e calçados (2,9%) e hipermercados e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,9%). O varejo ampliado também apresentou crescimento generalizado e, em geral expressivo: veículos e motos, partes e peças (12,6%); “atacarejo” (8,7%) e material de construção (8,1%).

Em síntese, o varejo, em março, surpreendeu positivamente em todos os ramos. Trata-se de algo pontual ou poderia estar havendo uma “reaceleração”? Não se pode chegar a uma conclusão a partir de uma única observação. Na medida em que os juros altos e o alto grau de endividamento das famílias, além da redução da confiança do consumidor se sobrepuserem aos aumentos da renda e do emprego, pode-se projetar que as vendas do varejo restrito continuariam desacelerando, de forma gradual, durante os próximos meses, mostrando maior volatilidade nos segmentos mais ligados ao crédito.

Por IEGV - Instituto de Economia Gastão Vidigal - 18/05/2026